Há mais de 30 anos iniciei minha vida profissional “de carteira assinada” em departamento pessoal. No começo – mas bem no comecinho mesmo – enchia a paciência do Supervisor de DP, Fernando (grande figura!): – Por que é assim, por que é assado?

Naquela época não havia o que hoje eu chamo de “pai dos burros”, o Google. Hoje eu não faria metade do que faço – estudar e pesquisar – se não fosse o Google. Levaria muito mais tempo, com certeza!

A empresa onde eu trabalhava assinava os boletins semanais da COAD. E foi com a encheção dos potes do Fernando, que um dia ele me falou: – Garotinha (como carinhosamente me chamavam), leia isso aqui e se tiver alguma dúvida depois você me pergunta. Pronto, bastou. Olhei para aquele livrão grosso e vi o que estava escrito: CLT Comentada. E mais: os boletins da COAD.

Foi o melhor presente que ele me deu (além das respostas iniciais). E não parei mais de estudar.

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Não sei tudo (Graças a Deus!), mas sempre que tenho uma dúvida, primeiro pesquiso. Se consigo uma base legal para saber, vou lá, estudo, questiono, pesquiso, simulo, projeto… e assim vou aprendendo, me sinto uma eterna aprendiz, nunca sei o suficiente.

Porém, tenho visto uma moçada aí que está sempre em busca de “respostas prontas”, o que quase nunca existe.

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Vão em algum curso, vê que está lá anotado uma base legal. Mas não lê, vai perguntar pra outra pessoa sem nem ler o que foi indicado. Aí depois volta e diz que “fulano” ou “sicrano” disse isso ou aqui. Mas não leu, não se deu ao trabalho de ir ler, pesquisar, questionar, se dar ao direito da dúvida fundamentada.

Se me incomoda, quando alguém vem me dizer que alguém disse algo diferente? Sim, incomoda. Mas eu cresço, toda vez que preciso aprender. Vou lá, releio, questiono. E se eu estou errada, ganhei duas vezes, em aprender e corrigir.

E quem só questionou porque ouviu outra opinião e não leu nada? Vai ficar eternamente dependente de opinião dos outros, nunca vai ter segurança no que faz. É lamentável, pois não se formam bons profissionais que não questionam, mas não é questionar o que falaram, é questionar o que está escrito. No nosso caso, nas leis, nas instruções, nos manuais e na própria CLT.

Sou defensora do “Google”, como instrumento de pesquisa. Antes tínhamos que ler tudo buscando em livros, hoje digita uma palavra e lá está o texto, algumas opiniões, bases legais etc. E para quê serve tudo isso? para formarmos o nosso entendimento, a nossa opinião.

Outro local na internet que sempre indico é o fórum do site Contábeis – www.contabeis.com.br – mas até lá atualmente, em alguns tópicos de discussão, tem colegas que nem se dão ao trabalho de ler o que já foi postado, só querem perguntar, não ajudam a ninguém. Mas mesmo assim, ainda é uma excelente fonte de pesquisa e discussão e recomendo sempre.

Se você quer ser bom no que faz, estude, pesquise, leia, tire dúvidas com os colegas.

Mas se posso dar outra dica, acredite, por uma questão de ética, não envie para algúem alguma coisa que outra pessoa lhe falou e você nem ousou pesquisar. Isso só demonstra a sua incapacidade de crescer e viver eternamente na dependência da opinião de alguém.

Bom final de semana!


27/04/2013.

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Zenaide Carvalho

Zenaide Carvalho é professora, escritora e referência na área trabalhista e previdenciária no Brasil. Com 38 anos de carreira, dedica o seu tempo a desenvolver conhecimento através de palestras, cursos, MBA´s e consultorias por todo o Brasil.

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